SALMO 100



INTRODUÇÃO

O Salmo 100 é um lindo cântico, um salmo de louvor. Um cântico em que o autor concita os moradores da terra a festejar ao Senhor. Sim, festejar, porque celebrar é comemorar, festejar, realizar com solenidade. Além da recomendação para todos os moradores da terra celebrarem ao Senhor, o escritor, ainda faz cinco recomendações para serem aplicadas na celebração e mais, justifica as razões do fazê-lo. Senão vejamos.

I – RECOMENDAÇÕES.

1 – Servir ao Senhor com alegria (v.2).

            Servir, entre outras definições, é exercer função de criado, servo; é ser útil; é prestar serviço de qualquer natureza.
            Quero lembrar que a recomendação aqui é para prestar serviços ao Ser mais importante de todo o universo; ao Criador de todas as coisas; ao Soberano Senhor; o Rei dos reis, Senhor dos senhores, Deus dos deuses. A recomendação não é apenas para servir, mas para servir com alegria. Isto nos quer dizer que temos a obrigação não só de servir ao Senhor por Ele ser o nosso Deus, fazê-lo com prazer.

2 – Apresentar-se a ele com canto (v.2).

            O cantar é um dos mais preciosos dons que recebemos. A melhor maneira de apresentarmo-nos ao Senhor nosso Deus é cantando. Quando aceitamos a salvação no Senhor Jesus, passamos a falar uma nova linguagem e, é por esta razão que o Salmo 40.3 diz: “e pôs um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus” Tiago diz: “Está alguém entre vós contente? Cante louvores” (Tg 5.13). A maior demonstração de alegria está realmente em cantar. Deus se agrada dos louvores. Cada dia devemos nos apresentar a Ele com canto.

3 – Entrai pelas portas dEle com louvor (v.4).
           
             Esta recomendação é muito séria, porque mostra a responsabilidade do adorador. É comum entrarmos no templo no momento de adoração, sem qualquer reverência, quando devíamos entrar com atitudes de adoração. Louvar não é outra coisa, senão elogiar, exaltar, enaltecer, glorificar e tantos outros predicados. O templo, local de cultos, é um lugar santo, pois nele se encontra a Trindade Augusta: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ora, se no deserto onde se encontrava Moisés foi-lhe dito: “Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés, porque o lugar em que tu estás é terra santa” (Ex 3.5). Isto foi-lhe dito simplesmente porque o Senhor se encontrava ali. Que diremos nós do nosso local de adoração diária, onde oferecemos o nosso sacrifício de louvor? Portanto, ao invés de entrarmos no templo com gracejos, brincadeiras e conversas, entremos em suas portas com louvor.

4 – Entrai em seus átrios com hinos (v.4).
            Átrio é pátio; sala de receber; sala de estar; é saguão. Em outras palavras, é o local de espera para se penetrar na sala de cerimônias. O texto manda entrar nesse espaço com hino que é canto em louvor.
            Na verdade nós estamos longe de ter esse comportamento na casa de Deus, pois, quando nos reunimos, em geral, até mesmo no lugar principal de adoração não aproveitamos entes importantes momentos para louvar ao Senhor. O apóstolo Paulo recomenda: “Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se para edificação” (I Co 14.26).

5 – Bendizei o Seu nome (v.4).

            Segundo o Dicionário da Barsa, bendizer é “abençoar, louvar, glorificar”. Deixemos de lado o abençoar e o louvar e tracemos algumas considerações sobre o glorificar, porque “bendizer é glorificar”. Nesse caso o versículo pode ser lido assim: “Glorifique o Seu Nome”. Isso porque glorificar é dar glórias; é prestar culto ou homenagear; é honrar. Na verdade a recomendação do salmo 100 neste versículo é que é dever nosso, não só entrar pelas portas com louvor, mas devo entrar em seus átrios com hinos, dar glórias e prestar nosso culto homenageando e honrando ao Senhor.
            Conhecidas as recomendações do autor precisamos agora conhecer as justificativas usadas por ele para tais exigências.

II – RAZÕES QUE JUSTIFICAM.

            São pelo menos quatro as razões apresentadas pelo salmista que justificam as suas recomendações.

1 – Porque o Senhor é bom (v.5)

            Bondade é um dos atributos morais do Senhor. Segundo o Pastor Ezequias Soares: “Deus é bom em si mesmo e para suas criaturas”. É pela Sua bondade que o Senhor nos dá, o alimento diário, nos dá água para beber, nos dá ar para respirar, nos dá saúde, bem como tantas outras coisas. Mas a sua bondade se estende de uma maneira tão infinita que nos deu o Seu Filho para salvar-nos da condenação eterna, (Jo 3.16).

2 – Eterna é a Sua misericórdia (v.5).

            A palavra misericórdia significa, segundo o Dicionário de Português da Porto Editora, Comiseração pela desgraça alheia. E comiseração é compaixão pelos males alheios. Quem mais do que o Senhor nosso Deus teve compaixão pelos males da humanidade? Só o Senhor que olhando desde os céus viu toda a humanidade marchando para a perdição e teve compaixão da nossa desgraça, isto é, teve dó, pena de nós, conforme diz o profeta Isaías: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho” (Is 53.6a). A misericórdia do Senhor foi tal, que Ele fez cair sobre o Senhor Jesus a iniqüidade de todos nós (Is 53.5b). Com isso ficamos livres da miséria do pecado e a desgraça que nos havia alcançado foi banida. Paulo, o apóstolo diz que o Senhor Jesus “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz (Cl 2.14).

3 – Ele nos fez povo Seu (v.3).

            Os teólogos nos ensinam que Deus nos criou com livre arbítrio, isto é, com liberdade de escolha. Feito o homem este foi colocado no Éden e foi-lhe dado o direito de escolha entre ser obediente ao Criador ou desobediente às normas estabelecidas por Este. Diz a Bíblia Sagrada que o homem escolheu a segunda opção, sendo condenado à morte em conseqüência da sua escolha. Se no começo o homem fora feito povo de Deus, com a sua condenação perdeu este privilégio. Agora não há opção. Mas o Senhor, na Sua eterna misericórdia, tomou novas providências a nosso respeito, nos oferecendo uma nova oportunidade em Cristo Jesus, por isso o próprio Jesus Diz: ‘Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”(Jo 3.16). Logo, todo aquele que aceitar a salvação no Senhor Jesus, torna-se povo de Deus. E é exatamente que o apóstolo Pedro escreve: “Vós, que em outro tempo não éreis povo, mas agora sois povo de Deus” I Pe 2.10. Logo não é sem razão que o salmista diz: “Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os moradores da terra”.

4 – Ele nos fez ovelhas do seu pasto (v.3)

            Mostrar que somos ovelhas do Senhor é a coisa mais simples que temos. Basta para isso lembrar o Salmo 23 que diz assim: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente às águas tranqüilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
            Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
            Prepara uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
            Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor por longos dias”.
            Quem alem do Senhor Jesus poderia preencher as verdades contidas neste salmo?       O próprio Senhor Jesus confirma este salmo com as palavras que profere em João 10.11 e 14 “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Eu sou o bom Pastor e conheço as minha ovelhas e por elas sou conhecido”.

CONCLUSÃO – O Salmo 100 o privilégio de vivermos uma vida de gozo e alegria no Senhor. Primeiros porque abre-nos a porta para estarmos sempre em comunhão com Ele desfrutando do Seu amor e oferecendo-lhe as homenagens e honras que ele merece. Em segundo lugar por causa dos benefícios que o Senhor nos ofereça, sendo bondoso para conosco, tendo sempre misericórdia de nós, tendo nos transformado em filhos e povo e por fim levar-nos como ovelhas a participar do Seu rebanho.                                                                                                      


               

A CURA DE UMA MULHER ENFERMA - Mc 5.25-34.


INTRODUÇÃO

A Bíblia de Estudo Pentecostal diz: “O problema das enfermidades e das doenças está fortemente vinculado ao problema do pecado e da morte, isto é, às conseqüências da queda. Enquanto a ciência médica considera as causas das enfermidades e das doenças em termos psicológicos, a Bíblia apresenta as causas espirituais como sendo o problema subjacente ou fundamental desses males. Essas causas são de dois tipos: (a) O pecado, que afetou a constituição física e espiritual do homem (Jo 5.5,14), e (b) Satanás (Mc 9.17,25; Lc 13.111; At 10.38; 19.11,12).
            Tomando como base o texto de Mc 5.25-34, desejo apresentar algumas atitudes da mulher, figura principal do texto em epígrafe, que nos servirão de exemplos e, sem sombra de dúvida, fortalecerão nossa fé concitando-nos a conquistar a vitória a qual nos propomos alcançar.

I – UMA MULHER ENFERMA.

            A Bíblia não dá maiores detalhes dobre a vida pessoal dessa mulher, apenas diz que ela aproveitou a presença do Senhor Jesus, quando este atendia um dos principais da sinagoga, que clamava pela saúde de sua filha (vs. 22,23). Diz que: “E certa mulher, que havia doze anos tinha um fluxo de sangue” (v.25). Em outras palavras, há doze anos sofria de uma hemorragia. Eu, como homem não tenho condições de avaliar esse problema, porém as mulheres o podem fazê-lo muito bem. Que transtorno, que insegurança, que aflição e isso já havia se passado doze anos (v.25). O texto relata que durante esse período essa mulher muito havia padecido e havia despendido tudo quanto tinha com médicos, porém sem qualquer proveito, pelo contrário, piorando a cada dia (v.26).
            É possível que aqui em nosso meio tenhamos também alguém que esteja passado por problemas semelhante ao que passara aquela mulher, sem encontrar a solução que tanto deseja. Há inúmeras espécies de enfermidades que tem nestes últimos tempos afetado a humanidade, porém, o Senhor Jesus é o mesmo, basta para isso cremos nas suas providências e ele fará o milagre desejado.

II – UMA MULHER DE ATITUDES.

            O texto diz que a mulher ouviu falar do Senhor Jesus (v.27) A verdade é que a fama do Senhor Jesus se espalhara por todas as partes e o contexto revela que uma grande multidão ajuntou-se a ele, junto ao mar. Lucas diz que a “multidão o recebeu porque todos o estavam esperando” (8.40) em meio a multidão estava a mulher e ela, que como já dissemos, por certo ouvira falar do Senhor Jesus, pôs em seu coração: “se tão somente tocar em suas veste, sararei” (v.28). Essa foi a idéia que nascera em seu coração. Não poucas vezes nós deixamos de receber uma bênção, porque deixamos de atender ao pedido de nosso coração. Não podemos esquecer que juntamente com os pensamentos positivos vêm também os negativos, como por exemplo: olha isso não vai dar certo, você vai tomar um baita de um prejuízo. Não pensemos que a mulher não teve esse problema. Algo pode ter surgido em seu coração, assim como: Não vai dar certo; você não vai alcançar a cura; a multidão não vai deixar você se aproximar; e se ele ralhar com você, já pensou a vergonha que você vai passar? Mas ele era uma mulher de atitudes e por essa razão resolveu ir em frente e a primeira coisa que fez foi:

1 – Procurou romper a multidão.

            Começou empurrando um para lá, outro para cá, pisa no pé de um, é xingada por outro, mas vai se aproximando. Finalmente chega onde o Senhor Jesus está. O primeiro obstáculo é vencido

2 – Aproxima-se de Jesus, mas pelas costas.

            Não deu para ir pela frente, foi por trás mesmo. Aí vem o pensamento: quem sabe se eu falasse com ele? Mas não dá. Aquele príncipe da sinagoga já está falando com Ele e por isso eu não terei chance de ter sua atenção. O melhor é tocar mesmo em suas vestes, conforme já pensei.

3 – tocou nas vestes.

            “E logo se lhe secou a fonte do seu sangue e sentiu no seu corpo já está curada daquele mal” (v.29).
            Mesmo tomando todos estes cuidados, a mulher deve ter ficado surpresa quando sentiu que realmente houvera acontecido o milagre na vida: a hemorragia estancara imediatamente. O poder do Senhor Jesus se manifestara naquele mesmo instante. O que o Senhor quer fazer hoje, não deixa para amanhã.

            Façamos agora um exame em nós: para alcançar aquela bênção que estamos almejando já rompemos aquela multidão de dificuldades, ou desistimos no primeiro obstáculo? Já nos aproximamos do Senhor Jesus, através da oração, das atitudes honestas, da santidade, do louvor, ou estamos esperando as coisas acontecerem sem qualquer atitude de nossa parte para melhorar o nosso relacionamento com Deus?

III – UMA MULHER ABENÇOADA.

            Quando a mulher tocou nas vestes do Senhor Jesus, Ele que mesmo sendo cem por cento homem, também era cem por cento Deus, por isso, mesmo sem a mulher tocar em seu corpo, sentiu que fora tocado e, mesmo sabendo que o havia tocado procurou interpelar os presentes para que aquela pessoa que houvera vindo buscar a bênção da cura se manifestasse publicamente, razão porque perguntou: “Quem tocou nas minhas vestes”? (v.30). Os presentes não entenderam nada. O Senhor Jesus estava cercado de uma grande multidão. A multidão lhe apertava como bem responderam os seus discípulos e ele pergunta que lhe tocara? Nesta hora vem o momento da confissão. “Portanto qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mt 10.32). Diante da insistência do Senhor Jesus, temendo e tremendo a mulher se aproxima do Senhor, se prostra diante dele e conta a sua história. Ouvida a confissão pública, o Senhor Jesus lhe diz: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e sê curada deste teu mal”.

CONCLUSÃO – O que aprendemos deste relato é que: Em primeiro lugar a enfermidade, não é uma conseqüência de pecados cometidos, mas da queda dos nossos primeiros pais. No Éden não havia pecado, também não havia dor ou moléstia de qualquer espécie. Logo, temos que aprender que a nossa fé em Deus não implica que seremos livres de qualquer enfermidade, como ensina os pregadores modernos, pois, estas independentemente de sermos ou não, crente no Senhor Jesus, virá como conseqüência da queda do ser humano. Em segundo lugar que para alcançarmos as vitórias que tanto desejamos, implica uma atitude de fé como aconteceu com aquela mulher que creu que se viesse tocar às vestes do Senhor Jesus, seria imediatamente curada. E, em terceiro lugar que devemos confessar o Senhor Jesus e divulgar o seu Santo Nome. Será que tem sido essa a nossa atitude? A forma como a Assembléia de Deus cresceu nos primeiros cinqüenta anos de sua existência foi exatamente esta: os crentes recebiam as bênçãos da salvação, cura divina, batismo com o Espírito Santo e solução de inúmeros problemas e imediatamente divulgavam isto para outras pessoas que logo procuravam a igreja para serem participantes destas bênçãos. Precisamos retornar aos nossos primeiros dias.  




Samuel L. Silva 

VIDAS SEM TEMOR A DEUS.

 Judas versículo 11


INTRODUÇÃO

            Este pequeno versículo que escolhi para falar dele hoje apresenta três personagens que tiveram destaque nas Sagradas Escrituras, mas que os seus exemplos nunca devem ser seguidos por ninguém. Parece-nos desnecessário falar de personagens que tiveram exemplos tão negativos, todavia, a Bíblia nos diz que: “Tudo isto lhe sobreveio como figura e estão escritas para aviso nosso”. (I Co 10.11). Quero, pois, traçar algumas considerações sobre o caminho de Caim, o engano do prêmio de Balaão e a contradição de Core, destacando a vida de cada um deles. Vejamos.

I – O CAMINHO DE CAIM (Gn 4.1-11).

            O nome Caim tem significação desconhecida: talvez ferreiro ou aquisição. Foi o primeiro filho de Adão e Eva, Gn 4.1-11. Sua profissão lavrador. Com toda certeza foi instruído no conhecimento dos preceitos de Jeová e nas exigências para a prestação do seu culto. Mas o caminho que ele escolheu foi totalmente oposto à vontade do Senhor.

1 – Teimosia (v 3)

            A teimosia de Caim é verificada na forma como ele vai oferecer ao Senhor a sua oferta: “E aconteceu ao cabo de dias que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor”. Não há dúvidas de que ele tenha sido orientado por seus pais de que a oferta oferecida ao Senhor deveria ser o sacrifício de um animal, pois, o derramamento de sangue representava a oferta pelo pecado e apontava para o sacrifício vicário do Senhor Jesus. Caim trouxe apenas uma oferta de gratidão, que não expressava qualquer tristeza pelo pecado. Claro que o Senhor não aceitou, porque ele não aceita culto malfeito, aceitando, porém, a oferta de Abel (Gn 4.4,5).

2 – Ira (v. 5)

            Caim irou-se única e exclusivamente porque o Senhor não aceitou a sua oferta e por isto foi repreendido pelo Senhor: “E o Senhor disse a Caim: Por que te iraste? E por que decaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta e para ti será o seu desejo e sobre ele dominarás” (6,7). A ira é um sentimento que nos estimula contra quem nos ofende ou injuria. Ira é também: cólera, raiva, fúria. Esse tipo de sentimento conduz ao ódio que é rancor profundo e reservado que se sente por outrem. Ódio é também inimizada, aversão antipatia. Tudo isto Caim sentiu contra Deus, mas não poderia levantar-se contra Ele, isto é, contra Deus, por isso volta-se, então contra seu irmão de quem Deus aceitara a oferta e cria pelo irmão um profundo ódio, levando-lhe a maquinar um plano maldoso contra o irmão a fim de tirar-lhe a vida.

3 – Homicídio Doloso (v. 8)

            Doloso é aquilo que é feito premeditadamente. Caim planejou a morte de seu irmão e o fez. Simplesmente o matou para se vingar do Senhor, pois, o irmão não tinha qualquer culpa de o Senhor não haver aceitado a sua oferta.
            Diz o salmo 42.7: “Um abismo chama outro abismo”. Tiago diz: “Ninguém sendo tentado diga: de Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado consumado gera a morte” (1.13-15). Caim não tinha mais remorsos, agora era um desviado, podia fazer o que bem quisesse.

            Há muita gente por aí que se desvia dos caminhos do Senhor e como que para afrontar a Igreja vem para cá de qualquer maneira. Usam trajes indecentes, xortinhos, vestidos ultra-decotados, saias por demais curtas, numa verdadeira afronta, não simplesmente aos crentes, mas especialmente ao Senhor e ao seu Espírito Santo. O pior de tudo é que estas pessoas muitas vezes são filhas de crentes que estavam na igreja, não porque se houvessem convertidas, mas porque se sentiam obrigadas pelos pais. Aqui em nossa igreja houve um pastor que sem qualquer necessidade transferiu-se de igreja para uma destas que o indivíduo pode andar vestido de qualquer maneira, logo depois este pastor passava por aqui na frente da igreja vestido de bermuda e usando cavanhaque.

            O nosso culto deve ser feito pela fé em reverência e adoração ao Senhor nosso Deus, A Bíblia diz que “tudo que não é por fé é pecado”, Rm 14.23. Há pessoas que vêm para o templo única e exclusivamente para serem vistas. Não têm a menor reverência, nem respeito diante de Deus, nem de sua palavra. Este tipo de culto é semelhante à oferta de Caim, oferta sem proveito. O nosso culto deve ser um culto agradável a Deus, conforme Paulo recomenda-nos na carta aos Romanos para apresentarmos os nossos “corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus que é o culto racional” Rm 12.1. Nunca devemos vir ao templo para andarmos com brincadeiras e chocarrices, tão pouco para tratarmos de negócios, ou fazer fofocas. O nosso culto deve seguir a seguinte liturgia: “Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação”, I Co 14.26.

            Depois de praticar o primeiro erro que foi a teimosia, Caim parte para o segundo que foi a ira, depois de enveredar pela ira que o levou ao ódio, Caim pratica o primeiro homicídio da história da humanidade e agora, já no último estágio de sua miserável vida, Caim mente para Deus.

4 – A Mentira (v. 9)

            Deus aborrece a mentira. A Bíblia afirma que o mentiroso é filho do diabo, João 8.44. Aqueles que almejam morar na cidade celestial, não podem viver mentindo, pois a Bíblia afirma que “não entrará nela coisa alguma que contamine e cometa abominação e mentira”, Ap 21.27.

            Depois de enveredar por um tão tortuoso caminho, Caim mentiu, quando o Senhor lhe perguntou: “Onde está Abel, teu irmão”? “Não sei”, foi a sua resposta (v.9). Deus sabia, pois, Ele sabe todas as coisas; conhece os nossos pensamentos e todos os nossos caminhos, conforme registra o Salmo 139. Não adiante querer esconder dele os nossos erros. O que a sua palavra exorta é: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” I João 1.9.

            A conseqüência da obstinação de Caim foi a maldição: “E agora maldito és tu desde a terra que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão”, (v.11).

            Toda pessoa desobediente entra pelo caminho da Caim e a recompensa é a maldição.

II – O PRÊMIO DE BALAÃO

            A significação desse nome é desconhecida; talvez devorador.

            Balaão era um adivinho ou profeta. Seu pai chamava-se Beor ou Bosor, Nm 22.5; II Pe 2.15. Habitava na Mesopotâmia (Região entre o rio Eufrates e o rio Tigre).

            Balaão vivia entre os pagãos, mas cria no Deus vivo de quem tinha algum conhecimento. Tratava-se de um homem de grande inteligência e sabedoria, e tinha a fama de santidade. Era considerado um profeta, mas fazia negócios com os dons que possuía o que era comum entre as nações. Hoje tem surgido muitos profetas semelhantes a Balaão. Vivem por aí vendendo os seus dons por preços iguais aos cobrados por Balaão: oram, mas cobram caro por isso. Quando comparecerem diante do trono de Deus no Juízo Final, irão dizer: “Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” Mt 7.22,23.

            Os pecados de Balaão foram:

1 – A cobiça.

            Balaão cobiçou a recompensa prometida por Balaque para amaldiçoar o povo de Israel, Nm 22.7-20. Essa cobiça o levou à ganância.

2 – Ganância.

            Ganância é ambição, usura. É aquilo que não satisfaz; é desejo de ganhar muito. O ganancioso só pensa em ficar rico e fará qualquer coisa para alcançar esse objetivo.

O verdadeiro crente não tem ganância, contenta-se com aquilo que Deus lhe deu, como diz Paulo: “Aprendi a contentar-me com o que tenho”. Não foi isso que aconteceu com Balaão: ele queria mais, e alcançou, mas não o que buscava.

3 – O Prêmio da Injustiça II Pe 2.15.

            Balaão ensinou a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e se prostituírem com as filhas dos moabitas, Nm 31.16; Ap 2.14.

            O prêmio que Balaão recebeu foi exatamente a morte, quando combatia ao lado dos midianitas, Nm 31.8.

            Deus não se deixa escarnecer, Gl 6.7.

III – A CONTRADIÇÃO DE CORÉ, Nm 16.1-50.

            Coré era um levita, isto é, pertencia à Tribo de Levi, filho de Jacó. O levita tinha o privilégio de ser um escolhido para ajudar no serviço do tabernáculo, fazia o papel do diácono e do presbítero de hoje. O principal pecado de Core foi a rebelião. A Bíblia diz que “a rebelião é como o pecado de feitiçaria” (I Sm 15.23). Coré juntou-as a Datã e Abirã, ambos da Tribo de Ruben, obtiveram a adesão de duzentos e cinqüenta líderes do povo e juntos desafiaram o sacerdócio de Arão e a autoridade de Moisés nos assuntos civis. Quanta tolice! As pessoas acham que a obra de Deus é feita com rebeldia. Puro engano. Para se pastorear uma igreja precisa-se de chamada e esta vem exclusivamente de Deus. O castigo aplicado aos líderes rebeldes foi serem sepultados vivos juntamente com suas famílias, e aos aderentes, Deus castigou-os com fogo, isto é, morreram queimados.

            Judas se refere a Core, como o tipo de líder religioso que procura usurpar a autoridade legitimamente constituída.


CONCLUSÃO

            Como disse na introdução que tudo isso lhe sobreveio como figura e estão escritas para aviso nosso, exorto a todos para que se desviem do caminho de Caim, pois, ele foi um péssimo exemplo: teimoso, iracundo, homicida e mentiroso, esqueçam o prêmio de Balaão, com ele estava a cobiça e a ganância; com isso ele conquistou o prêmio da injustiça e com ele a morte. Devemos nos afastar de Coré, pois, este rebeliou-se contra o líder espiritual e contra o líder civil e junto com outros líderes procuraram provocar uma divisão na congregação, o resultado foi serem todos castigado pelo Senhor.

            Que estes fatos aqui estudados hoje sirvam de exemplos para que não venhamos cometer os mesmos pecados.

            Que o Senhor Jesus nos abençoes.
  

Samuel Lopes da Silva.